Olhar Retrospectivo //2017//

A mostra Olhar Retrospectivo destaca um grande nome do cinema mundial, fazendo uma retrospectiva e uma reflexão aprofundada da obra e da trajetória do/a autor/a.

 

 

Sobre F.W. Murnau

Aaron Cutler

14 de fevereiro de 2018

 

A ideia do Olhar Retrospectivo do ano passado, com os filmes de Friedrich Wilhelm Murnau (https://woocommerce-460761-1467366.cloudwaysapps.com/2017/2017/olhar-retrospectivo-fw-murnau/), veio pela primeira vez em minha mente quando li sobre a nova restauração do filme sobrevivente mais antigo do grande cineasta Expressionista e Romântico, Caminhada Noite Adentro (1921), feita pelo Museu de Cinema de Munique (informação sobre a qual pode ser encontrada em inglês aqui – http://www.giornatedelcinemamuto.it/en/der-gang-in-die-nacht/ – e aqui – http://www.davidbordwell.net/blog/2016/11/06/murnau-before-nosferatu/). Mas talvez tenha nascido de verdade na noite de domingo, 4 de abril de 2010, quando tive meu primeiro encontro com uma paulistana chamada Mariana Shellard, para ver, ás 19h40, a exibição do filme Aurora (1927) de Murnau, no cinema Film Forum na minha antiga cidade de Nova York. Agora, mais de sete anos depois de me mudar para São Paulo para viver com ela, Murnau e Brasil permanecem conectados em minha mente.

A retrospectiva exibiu ao público cópias restauradas em DCP de 10 dos 12 filmes de Murnau que resistiram ao tempo (durante a vida curta do cineasta, ele fez um total de 21 filmes). A seleção contou com Caminhada Noite Adentro e Aurora, bem como mais oito filmes oferecidos por um extraordinário centro de preservação de filmes antigos alemães e da República de Weimar chamada a Fundação Friedrich Wilhelm Murnau. A palavra “restauração”, em termos práticos, refere-se à reparação física de elementos danificados, que graças a arquivistas como Luciano Berriatúa (https://woocommerce-460761-1467366.cloudwaysapps.com/2017/2017/o-cinema-de-murnau- por-luciano-berriatua/) foram feitas com grande cuidado e respeito pelo trabalho de Murnau. E restauração, adequadamente, é o tema central dos filmes de Murnau, nos quais os indivíduos psicologicamente danificados encontram formas de sobreviver no mundo através da imaginação e da esperança.

Foi extraordinariamente gratificante ver as pessoas entrando em filas enormes para assistir obras-primas famosas como A Última Gargalhada (1924) e Tabu (1931), bem como filmes menos conhecidos, mas igualmente excelentes, como Fantasma (1922). As sessões lotadas nas exibições dos filmes deste inovador serviram como uma forte repreensão contra a ideia de que o cinema experimental não atrai público. Agradeço a todos os que contribuíram de alguma forma para a retrospectiva, incluindo os participantes do seminário “O legado de Murnau” (https://woocommerce-460761-1467366.cloudwaysapps.com/2018/en/news/page/2/) que ocorreram durante o festival, bem como todos os críticos que escreveram sobre os filmes com cuidado e simpatia.

Se eu pudesse destacar um filme de Murnau aos leitores desta postagem, seria um filme que não mostramos: O Pão Nosso de Cada Dia (1930), um trabalho tremendamente caloroso, gentil e generoso, que Murnau fez como uma sequência não oficial de Aurora. Nós não o exibimos porque, embora existam cópias 35 mm do filme, ele ainda não recebeu a restauração em DCP que merece. Enquanto isso, o filme pode ser visto aqui: https://www.youtube.com/watch?v=oT1kZYjOi4M

E, se eu pudesse expressar um arrependimento sobre a retrospectiva do ano passado, era que eu (como curador da mostra) não consultei outras pessoas para mais ideias de como apresentar melhor os filmes. O Olhar Retrospectivo deste ano será, portanto, diferente de forma crucial. Embora os filmes ainda não possam ser revelados, estou orgulhoso em dizer que este ano estou trabalhando na retrospectiva com Carla Italiano, que é a nova integrante da equipe de programadores de longa-metragem, já tendo trabalhado em 2017 na equipe de seleção de curtas. A oportunidade que todos nós temos para aproveitar do trabalho desta pessoa extraordinária é um privilégio e uma alegria.

 

Caminha noite adentro (The Dark Road, 1921)
Fausto (Faust, 1926)
Aurora (Sunrise, 1927)
O pão nosso de cada dia (City Girl, 1930)