Foco – Janie Geiser

Filmes Familiares

 Os filmes de Janie Geiser são cheios de envelopes invisíveis, histórias secretas, significados ocultos e fortes emoções. A experiência de assistir a um deles – ou melhor ainda, a uma sequência de seus filmes – pode ser unicamente avassaladora. Isso é ainda mais notável porque praticamente todos os filmes realizados pela artista multidisciplinar, residente em Los Angeles, têm duração de menos de 12 minutos. (A única exceção é “Magnetismo Animal”, uma obra seriada composta por nove partes curtas). Todos eles são ágeis ao jogar com objetos familiares para transmitir sensações que são tanto cósmicas quanto particulares. Uma única flor, ou um desenho de uma, pode representar a natureza inteira em seus filmes; uma fotografia, bem examinada, pode contar a história de toda uma vida.

Os filmes de Janie narram histórias particulares de buscas – de personagens em busca de outros personagens, de pessoas desorientadas em busca de si próprias, da própria cineasta enquanto agrega materiais para reconstruir o passado. Junto com essas procuras, existem buscas internas feitas pelos espectadores dos filmes em resposta ao que eles reconhecem de suas próprias vidas e experiências. O Olhar de Cinema orgulhosamente oferece a eles uma oportunidade para explorar a obra dessa realizadora. A maior retrospectiva de seus filmes já realizada no mundo reúne 21 títulos, quase todos eles em sua estreia brasileira no Olhar. O filme mais recente dela, “Rua Valeria” (2018), terá aqui sua estreia mundial.

O festival terá ainda a sorte de contar com a presença da própria Janie, que apresentará quatro programas de seus filmes, além de uma expansão de seu filme “Mandril”, dentro de um evento ao vivo chamado de “Conversa Ilustrada”. Ela também apresentará mais dois programas reunindo filmes de artistas que ela admira – um filme fundamental de Edwin S. Porter, “Dream of a Rarebit Fiend” (1906), juntamente com outros notáveis trabalhos de 20 cineastas contemporâneos que aceitaram participar.

Embora a maioria desses cineastas residam nos Estados Unidos, eles vêm de lugares que incluem Índia, Inglaterra, Irlanda, Japão, Palestina e Turquia e realizam seus trabalhos em vários países, inclusive no Brasil (uma das principais locações do filme “Muitos Milhares Desaparecidos”, de Ephraim Asili, filmado entre Harlem e Salvador). Eles se juntam a Janie para mostrar que é possível se realizar um incrível cinema pessoal ao redor do mundo.

Janie, assim como os outros, mostram que nenhum artista age sozinho. Para a realização deste Foco, muitas pessoas precisam ser agradecidas. Entre elas, Kari Rae Seekins tem sido responsável pela mixagem de som dos filmes recentes de Janie e Astra Price tem sido fundamental para a finalização digital, incluindo muitas transferências novas a partir de originais em 16 mm. E Mariana Shellard merece uma gratidão especial, uma vez que a crença dela no valor desta retrospectiva ajudou a tornar  a proposta de um sonho em algo real e possível.

 

PROGRAMA 1: HISTÓRIAS SECRETAS

“O Livro Vermelho” (1994) usa figuras planas e pintadas e elementos de colagem para explorar o mundo psíquico de uma amnésica. “A História Secreta” (1996) traça o passeio de uma mulher através de paisagens com rios, inundações, casa, guerra, memória e doença. “Immer Zu” (1997) evoca um mundo oculto de mensagens secretas, linguagem enigmática, e códigos indecifráveis. “Movimento Perdido” (1999) usa pequenos personagens de metal e trens de brinquedo para retratar a busca de um homem. “Terraço 49” (2004) mostra imagens de um desastre iminente de encontro ao corpo de uma mulher enquanto ela se desvanece na textura fílmica. “A Quarta Vigília” (2000) apresenta quartos habitados por figuras silenciosas que ocupam o cintilante espaço da noite em uma casa de estanho .

QUANDO E ONDE

8JUN
Espaço Itaú (Sala 1)
19h30

9JUN
Espaço Itaú (Sala 1)
14h00

PROGRAMA 2: MAGNETISMO ANIMAL

“Magnetismo animal” foi um termo do século XIX para a técnica do físico alemão Franz Anton Mesmer para magneticamente induzir transes. O filme de Geiser “Magnetismo Animal” conta com uma narrativa elíptica em preto e branco que se desdobra em nove episódios curtos e auto-suficientes. Ela segue uma hipnotizadora através de um cenário de desejo, confusão e perda, em constante mudança. O filme também traz performers, animação de colagem, abstração, fotografias repetidas de um mesmo local, e elementos de pintura de uma maneira que remete ao cinema silencioso de melodrama e à narração seriada bem como ao expressionismo norte-americano.

QUANDO E ONDE

9JUN
Espaço Itaú (Sala 1)
19h45
10JUN
Cineplex Batel (Sala 4 )
14h00

PROGRAMA 3: OS FILMES NERVOSOS

O programa abre com “Ultima Thule” (2002), no qual um pequeno avião prateado navega por uma tempestade ultramarina em direção ao mais afastado ponto ao norte. Este filme antecede Os Filmes Nervosos, uma série de quatro filmes realizados com colagens e centrados no corpo, na infância, na memória, na guerra, na doença e na perda. Eles utilizam ilustrações médicas, fotografias, filmes de arquivo, e outros materiais para evocar, mais do que narrar. Esses quatro “filmes nervosos” – “Álgebra Fantasma” (2009), “Vilão sem Piedade” (2010), “Ricky” (2011) e “O Chão do Mundo” (2010) – são seguidos pela estreia mundial de “Rua Valeria” (2018), um filme criado a partir de fotografias sobre narrativas possíveis e impossíveis.

QUANDO E ONDE

10JUN
Espaço Itaú (Sala 1)
19h00
11JUN
Espaço Itaú (Sala 2)
21h30

PROGRAMA 4: VISÃO DUPLA

O programa “Visão Dupla” apresenta sete filmes recentes de Geiser na seguinte ordem: “Mandril” (2012), “As Guerras dos Beija-Flores” (2014), “Jardim Cátodo” (2015), “Irmã Silenciosa” (2016), “Kriminalistik” (2013), “Olhe e Aprenda” (2017), e “Flores do Céu” (2016). A visão dupla de uma jornada de vida se desdobra ao longo de seus percursos compartilhados. Geiser reapropria-se de vários objetos efêmeros – objetos cênicos, notas escritas, e mais especialmente, fotografias achadas – para convocar o passado com uma força xamânica, preencher suas ausências com imaginação e memória, e curar suas feridas com sonhos atuais.

QUANDO E ONDE

11JUN
Espaço Itaú (Sala 1)
16h15
12JUN
Espaço Itaú (Sala 1)
14h30

PROGRAMA 5: DIÁLOGOS

Um dos primeiros filmes de Geiser, “Spiral Vessel”, que apresenta relações entre humanidade e ciência, passa em conjunto com filmes de outros dez artistas que ela admira, realizados a partir do tema de troca e diálogos. O programa inclui: “Eclipse” (2005, Jeanne Liotta), “Shadow” (2007, Ernie Gehr), “Dream of a Rarebit Fiend” (1906, Edwin S. Porter), “Muitos Milhares Desaparecidos” (2015, Ephraim Asili), “YOLO” (2015, Ben Russell), “Empyrean” (2017, Kalpana Subramanian), “Line Describing Your Mom” (2011, Michael Robinson), “Spiral Vessel” (2000, Janie Geiser), “Frequency Objects” (2013, Julie Murray), “Marseille Après La Guerre” (2015, Billy Woodberry), e “Village, silenced” (2012, Deborah Stratman).

QUANDO E ONDE

9JUN
Espaço Itaú (Sala 2)
16h30
13JUN
Espaço Itaú (Sala 2)
14h00

PROGRAMA 6: PASSAGENS

O programa apresenta filmes de 11 artistas contemporâneos admirados por Janie Geiser, todos eles abordando o tema de passagens. Aqui estão inclusos:  “Prima Materia” (2015, Charlotte Pryce), “House” (2005/7, Ben Rivers), “Shape of a Surface” (2017, Nazli Dinçel), “Orpheus (outtakes)” (2012, Mary Helena Clark), “Mount Song” (2013, Shambhavi Kaul), “Dez Manhãs Dez Tardes e Um Horizonte” (2016, Tomonari Nishikawa), “Lessons of War” (2014, Peggy Ahwesh), “The Silver Age” (2015, Lewis Klahr), “A Set of Miniatures” (2014, Jonathan Schwartz), “A Field Guide to the Ferns” (2015, Basma Alsharif), e “Wasteland No. 1: Ardent, Verdant” (2017, Jodie Mack).

QUANDO E ONDE

12JUN
Espaço Itaú (Sala 1)
16h30
13JUN
Espaço Itaú (Sala 1)
16h30