OUTROS OLHARES | LONGA

A mostra Outros Olhares faz um diálogo entre filmes recém estreados, filmes ainda inéditos e filmes que já possuem uma trajetória nacional e internacional em festivais e mostras recentes. Quem entra para assistir aos filmes da Outros Olhares encontra uma variedade de estilos, linguagens e abordagens em torno de questões urgentes enfrentadas pelo mundo atual.

A CASA DE LUCIA
/ Lucia’s Home
João Marcelo, Lucia Luz | Brasil, 2017, 70’, DCP, Documentário

Recém-casada, Lucia deixou a Síria às pressas com a família de seu
marido. Vivendo em condição de refúgio no Brasil há dois anos, uma viagem
inesperada leva Lucia ao reencontro de seus pais e irmãos, que moram no Kuwait.
Através de registros feitos por ela mesma, conhecemos sua história pessoal, e
entendemos as constantes mudanças que afetam seu mundo.

ALIPATO – A BREVÍSSIMA VIDA DE UM MALANDRO
/ Ang Napakaigsing Buhay Ng Alipato
Kahvn De La Cruz | Alemanha, 2016, 88’, DCP, Ficção

Uma gangue de meninos de rua rouba e mata na capital do carvão de
Mondomanila. Cansados de pequenos crimes, decidem por um último assalto:
roubar o Banco Central. Porém o roubo vai mal, o dinheiro desaparece, e os
membros da gangue são assassinados um por um. Pânico se espalha entre os criminosos sobreviventes, que começam a suspeitar que um dos seus é o homicida.

CONVICÇÕES
/Ubezhdeniya
Tatyana Chistova | Rússia, Polônia, 2016, 63’, DCP, Documentário

O quão fácil é para um opositor consciente recusar o serviço militar na Rússia de hoje? Embora seja permitido pela constituição, a comissão de recrutamento pode rejeitar o pedido. O filme segue os esforços de um jovem rapaz que está tentando persuadir as autoridades e a comissão sobre seus motivos para o recrutamento de serviço civil. Um deles foi inclusive levado perante um tribunal acusado de deserção. As cenas capturadas no filme mostram um sistema absurdo no qual os discursos humanistas dos jovens pacifistas têm pouca chance contra a incompreensão e o desdém dos oficiais.

DE UM ANO SEM EVENTOS
/ Aus einem Jahr der Nichtereignisse
Ann Carolin Renninger, René Frölke| Alemanha, 2017, 83’, DCP, Documentário

Uma fazenda em um filme, mas não um filme sobre agricultura. “De um ano sem eventos” é mais a descrição de uma vida muito pragmática, onde obstáculos existem para serem superados. Enquanto observa um ano da vida de Willi com quase noventa anos de idade em sua velha fazenda uma imagem vem a ser o que confronta a persistente impressão de uma vida cercada de uma comodidade cotidiana.

HEMA HEMA: CANTE PARA MIM ENQUANTO EU ESPERO
/ Hema Hema: sing me a song while I wait
Khyentse Norbu Rimpoche | Butão, Hong-Kong, 2016, 96’, DCP, Ficção

Em meio a floresta de Butão, a cada doze anos existe um retiro de homens e mulheres escolhidos pelo Velho Homem para desfrutar de alguns dias de anonimato. Silhuetas mascaradas participam de rituais, performances e danças. Sem rosto, os homens e mulheres se permitem ser lascivos, brincalhões e ousados. Um homem participa deste evento pela primeira vez e adentra a experiência como um recém-nascido. Ele tropeça desajeitadamente nos primeiros dias, mas rapidamente se adapta, e quando vê Red Wrathful fica completamente intoxicado por ela. Mas seu desejo o conduzirá por um caminho perigoso.

HOMEM LIVRE
/ Free man
Alvaro Furloni | Brasil, 2017, 84’, Ficção

Após anos na cadeia por um crime que chocou o país, Hélio Lotte, um ex-ídolo do rock, encontra abrigo numa pequena igreja evangélica. Ele só quer ser esquecido, mas seu passado volta para assombrá-lo. Em meio à hostilidade crescente dos fiéis e à sua própria paranoia, Hélio pressente que algo de ruim está prestes a acontecer mais uma vez.

MEU CORPO É POLÍTICO
/ My body is political
Alice Riff | Brasil, 2017, 72’, DCP, Documentário

Meu corpo é político aborda o cotidiano de quatro militantes LGBT que vivem em periferias de São Paulo. A partir da intimidade e do contexto social dos personagens, o documentário levanta questões contemporâneas sobre a população trans e suas disputas políticas.

MOSCAS NOTURNAS
/ Overnight Flies
Georg Tiller | Áustria, Suécia, 2016, 97’, DCP, Ficção

Eddie, um sudanês de 65 anos, parece viver por incontáveis dias em uma remota e pedregosa ilha sueca. Cercado por pássaros barulhentos e carregando um passado misterioso, Eddie vagueira pela natureza, relembrando momentos com uma câmera de vídeo quebrada. Acompanhado de Jan, um eremita fantasmagórico que vive na floresta, Eddie adentra um ambiente hostil que é alheio ao seu isolamento. Apesar das circunstâncias, Eddie busca um milagre no tempo presente negligenciado.

O VISLUMBRE DA SEPARAÇÃO
/离散的范畴
Yue Chen | China, 2017, 71’, DCP, Ficção

Shidong é um jovem rapaz que ficou à deriva após a morte de seu pai. Ele conhece Yuzi, uma garota melancólica que o persegue, mas ele a despreza. Logo após, ele conhece Yao Ye, uma brilhante menina; eles vivem juntos por um mês, então seguem por caminhos distintos. Tendo conhecido o amor, Shidong encara os negócios e tenta ganhar a vida adulta. Quando encontra Yuzi novamente, o tempo já mudou seus sentimentos e ele aprendeu um novo jeito de encarar a vida.

OUTONO, OUTONO,
/ Chun-cheon, Chun-cheon
Jang Woojin | Coreia do Sul, 2016, 77’, DCP, Ficção

Ji-hyun vai a uma entrevista de emprego in Seoul antes de pegar o trem de volta a sua cidade em Chuncheon. Na viagem senta próximo a um casal de meia idade. Ji-hyun, sonhando em conseguir o emprego em Seoul, cai em desespero ao saber que falhou na entrevista. Com um amigo, Ji-hyun segue desamparado ao Templo Cheongpyeongsa, mas acaba perdendo a última saída para casa e deicide passar a noite ali. O casal de meia idade também se encontra no Templo Cheongpyeongsa. Eles se abrem um para o outro compartilhando memórias de seus primeiros amores.

UMA PAISAGEM DE YANGTZE
/ Changjiang
Xu Xin | China, 2017, 156’, DCP, Híbrido

Esse documentário usa o rio Yangtze como uma metáfora do atual caos na China. O documentário utiliza um estilo de não-narrativa, partindo do Porto Shangai na marina de Yangtze, filmando todo o trajeto do rio até sua foz, em Quinghai/Tibet. Música experimental e ruídos captados diretamente na cena em que foram usados, combinados com imagens relativamente independentes, criando uma atmosfera realista e mágica, que contrasta com as pessoas que aparentam ser “figuras decorativas” diretamente das tradicionais paisagens onduladas. Depois de assistir ao filme inteiro, você percebe que o Yangtze está morto.

Confira os dias e horários das sessões em olhardecinema.com.br/2017/filmes/